quarta-feira, 4 de abril de 2012

Dominó





Todos os casais felizes se parecem uns com os outros, cada casal infeliz é infeliz à sua maneira.*
Estar longe significa falar menos horas. Estar longe significa discutir menos. Afinal estar longe não tem tudo de mau. Estar longe significa ter mais espaço. Estar longe significa fazer menos amor. Hmm.. retiro o que disse! Estar longe significa perguntar menos. Estar longe significa desconfiar mais. Equilibrado. Os acontecimentos não se sucedem consoante a forma como começaram. Sucedem-se consoante a nossa capacidade de prever o futuro. O que eu quero dizer é que quando se está na fase boa do início não importa se o outro tem uma vida boa ou fod*da, se tem um curso superior ou a quarta classe, se quer casar ou ser solteiro para sempre. Se for verdadeiro nenhuma dessas merdas importa. No início é comer, orar e amar. É reencontrarmo-nos. É pôr de lado o que nos incomoda e entregarmo-nos. É verdadeiro, é indefinido, é bom! Essa fase acaba quando damos por nós a perguntarmo-nos se realmente valerá a pena. Quando nos perguntamos quem é o outro e o que quererá o outro da vida... é a morte do artista. Pomo-nos a adivinhar onde isto irá parar ou quando nos vamos cansar. Pomos em causa se o outro gosta tanto como nós ou até se ainda nos deseja. Sentimos saudades. Discutimos pelas saudades. Dizemos que tudo está à nossa frente. Não só o dizemos como o sentimos de verdade. E a indefinição passa a ser pintada de cinzento. A indefinição faz-nos deixar de acreditar. Sim, aquela mesma indefinição que nos fazia ficarmos apaixonados. Primeiro era descobrir, agora transforma-se em adivinhar. E o que terá de ser será. Há várias maneiras possíveis de chegar ao mesmo mas, ainda assim, o que terá de ser será. Tudo depende daquilo a que nos agarramos. Se olhamos com atenção para a nossa relação e virmos os pontos que nos unem ou os que nos afastam é como o dominó. Todas as peças têm dois lados. Podem ser iguais ou diferentes. A maior parte das vezes diferentes. Como as nossas características. A maior parte das vezes diferentes. No seu conjunto podem encaixar umas nas outras. Outras vezes não. Ou jogamos limpo e só encaixamos na peça igual... Ou então vamos fazendo uma batotinha ao longo do percurso e ignoramos que nem sempre encaixa. Tudo depende daquilo a que nos agarramos.

*Desculpa Tolstói mas não resisti

2 comentários:

  1. Vi em qualquer lado que terias a minha idade (ou eu a tua...; depende do prisma). É "engraçado" (à falta de uma outra palavra) citares Tolstoi nas tuas intervenções aqui. Evidencia algum nível de cultura. Nice.

    P.S.1 - Não é muito comum os jovens dos dias de hoje referirem/citarem nomes como Tolstoi. Thumbs up p/ ti. :)

    P.S.2 - Tenho a ideia que terás 20 e poucos anos (sorry se estiver errado).

    Jorge

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    1. Tenho 22 sim. E também digo aí algures que gosto de clássicos. Não é para parecer culta, às vezes nem é pela história dos livros mas sim pela forma como a história é contada. Gosto de livros que tenham uma certa oralidade, que fluam, you know?

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