Primeiro pensamento: procuro uma foto para colocar? naa.. Vai assim mesmo.
Posta esta introdução, meticulosamente escolhida e de uma eloquência dilacerante, eis que voltei.
A vida girou. Muito. Cresci. Muito. Trabalhei... até à exaustão. Sou cientista. Daquelas apaixonadas. Totós, vá! Sou engenheira de profissão, cientista de coração. Passei noites no laboratório, aprofundei as minhas olheiras, privei-me do sono até não ser capaz de construir com facilidade frases que fizessem sentido. Mas, ah!, este sentimento de dever cumprido!
Aprendi a trabalhar sozinha, a ver acontecer, a ser uma sombra.. Aprendi quanto se aprende a ser uma sombra, quanto te entregam quando não o exiges. Quanto se é valorizado por acertar no momento em que se exige. Quanto és valorizado por defenderes o teu respeito com sabedoria. Sabedoria impõe respeito e intimida, apesar das diferenças de idade. Engoli sapos. Oh, se engoli! Mas esperei para os cuspir na cara das pessoas. Cuspi sapos meigamente na cara de pessoas. Dói mais assim.
Vi a vida a ser injusta com gente de quem gosto. Vi a vida a ser madrasta. Com gente com planos, com sonhos, gente extremamente empenhada e competente, fora do vulgar! Vi a vida ser madrasta... Vi gente de quem gosto muito, e por muito quero dizer muito, a sentir-se miserável, impotente, a levar uma coça da vida e ficar só ali, a levar e a aceitar, porque na maior parte das situações é tudo o que de mais são se pode fazer.
Gente que se levantou. Gente de quem me orgulho. Gente que está a passar por um luto terrível como quem é indestrutível. Não o é. Mas ainda como quem é indestrutível. Gente com medo de voltar a passar por tempos de pequenas vitórias, grandes desilusões e de muita luta sustentada pela esperança de que tudo, de uma maneira mágica, corra bem. Não aconteceu.
Olá! Eu estive de férias e voltei. Com a sabedoria de que a vida está constantemente a retirar-nos a oportunidade de fazer o que é certo.