segunda-feira, 30 de abril de 2012

Londres acabou

Londres deu-nos tempo para nos dedicarmos um ao outro. Londres deixou-nos fazer amor à vontade. Também nos deixou zangarmos por não podermos fazer mais. Mas isso já fazia parte. Londres foi um cheirinho de uma vida que tivemos outrora. Londres foi a vida de faculdade de volta. Tínhamos que sair sim, mas a noite era nossa. Dormíamos às horas que queríamos. Mas Londres ficou lá no meio dos seus monumentos dourados. Londres ficou a servir à rainha e nós voltamos. E ainda em Londres eu já queria voltar. Queria voltar aos meus objectivos. Queria voltar ao meu egoísmo. Queria voltar e queria que quando voltássemos fosse melhor. Mas voltamos e somos os mesmos. Voltamos e tu moras no reino de Far Far Away. E eu voltei e vi que afinal tenho muito pouco a dar de mim já. Eu voltei e sou a mesma pessoa. E sou a mesma egoísta. E sou a mesma miúda mimada. E tu és meu e respeitas-me e ainda me queres pelo que eu sou. Porque é que ainda me queres? Só vai piorar. Eu não gosto desta vida e não sei não gostar de algo. E depois de Londres eu vi que longe de ti sou pior. Longe de ti só existo eu. Até ficarmos juntos como antes vou ser só eu. E eu não quero ir para longe e tu não podes vir para perto. Vou dizer uma coisa que nunca te disse: Tenho medo! Tenho medo de perder todas as coisas que construímos e tenho vergonha de ter contribuído para arruinarmos quem nós éramos. Tu tomaste as tuas decisões e eu não sou uma jogadora de equipa. Tenho medo do que vem. E quero muito que as próximas mudanças na minha vida sejam a nosso favor mas não sei o quanto isso é possível. A única certeza é que já resta muito pouco de nós que tem força para lutar. Pelo menos de mim. Não sei em que é que nos tornamos mas não desistas de mim. Porque me magoaste com as tuas decisões e eu sei que te estou a magoar por não ser uma jogadora de equipa. Mas nós fomos algo de muito bom. Nós fomos fantásticos. Não desistas de mim. Não desistas da egoísta que a maior parte do tempo se sente quebrada, estragada... que às vezes deixa de sentir e que só quer que tu estejas perto para me dizeres que estás cá para lutar. Eu preciso de ti por isso não desistas de mim.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Hasta la vista babies




E como estamos em crise dia 24 estou de volta. :)

domingo, 15 de abril de 2012

Coisas más acontecem a pessoas boas

Tenho para mim que há uma grande diferença entre pessoas más e pessoas que fazem coisas más. É certo e sabido que toda a gente erra. Ás vezes erros muito grandes e muito graves. Mas isso não torna uma pessoa má. Se for um caso sem exemplo, se houver arrependimento, se se tirar uma lição disso, é só uma pessoa que fez uma coisa má. Como já toda a gente fez as suas coisas más. Agora, errar, magoar vezes sem conta e ficar feliz se não houver consequências significa ser uma pessoa má. As pessoas más magoam as pessoas boas. Porque se forem duas pessoas más então magoam-se mutuamente. As pessoas más magoam as pessoas boas. As pessoas que fazem coisas más martirizam-se mesmo que não tenham magoado ninguém. As pessoas que fazem coisas más perguntam-se como é que podem existir pessoas tão más como elas próprias. As pessoas más consideram-se mais espertas que as outras. Há coisas que não aconteceram comigo e que me chocam. Há quem cometa maldades, há quem não saiba dizer a verdade*. Temos que passar por isto, temos que sentir na pele. Temos que saber a diferença para um dia sabermos ensinar os nosso filhos a escolherem os seus amores. Por agora magoa-nos, e um dia vai magoar os nosso filhos porque os filhos nunca ouvem os pais como nós não ouvimos os nossos. Mas quando os nosso filhos fizerem coisas más e forem magoados por pessoas más, nós podemos sentar do lado deles e deixá-los chorar. Sem comentar, sem ralhar, sem apontar o dedo. Só deixá-los chorar. Porque há quem cometa maldades.

*É isso aí - Ana Carolina e Seu Jorge

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Odeio pessoas grandes a esconderem-se como crianças

Se há coisa que me ensinaram desde pequena foi a assumir os meus erros. Uma vez roubei uma caixa de lápis numa loja. Tinha cerca de 5 anos e meti os lápis dentro das minhas meias-calças (porque a saia não tinha bolsos). E fi-lo sem motivo aparente, porque ninguém me tinha dito que não, fiz somente porque era fácil. Acham que alguém foi lá pedir desculpas por mim ou sequer me acompanhou? Ficaram à porta e obrigaram-me a ir contar o que tinha feito e a pedir desculpas. A humilhação de admitir o que tinha feito foi tão grande que ainda hoje me lembro. Por isso hoje, quando erro, dou a cara e assumo o que fiz.Não fujo e fico à espera que as pessoas se esqueçam, e apareço mais tarde quando souber que a reação da pessoa é mais calma. Assumo o que faço no pior momento e levo com a ira que tenho que levar! Aos 5 anos ensinaram-me o mais importante como cidadã. Por isso, não! Não admito que as pessoas façam m*rda e esperem até que não lhes aconteça nada. Isso é cobardia!

terça-feira, 10 de abril de 2012

Taras e Manias 3

Oferecer livros a crianças! 
Elas nem sempre acham piada e por isso também dou um brinquedo. Mas dou um livro. Porque o contacto com livros é bom e porque nem tudo é jogos para a PS3.

«Nós» é singular

Estava eu a ver um episódio da minha série em que andam todos enrodilhados uns com os outros, e era a n-ésima vez que via aquele episódio e mesmo assim mexia comigo. Se calhar era porque eu ainda não tinha percebido a verdadeira mensagem... Sabia que estava lá mas não sabia onde. Quando a Amelia andava lá com o junkie guy (e eu nunca andei com um junkie guy por isso não fazia sentido aquilo perturbar-me tanto) eu percebi que nem sempre o que nos faz feliz é a outra pessoa. Nem sempre o que nos faz feliz é o que nos faz bem. O que nos faz feliz é quem somos quando estamos com a outra pessoa. Amar é agarrar. Amar é tomar posse como se fosse nosso. Amar é fazer errado. Amar nem sempre é respeitar. Mas com toda a certeza que amar é cuidar. Porque amar muda-nos. Amar faz-nos piores, faz-nos selvagens, faz-nos irresponsáveis. Amar faz-nos magoar. Por isso quem ama cuida. E amar deve ser feito com muita cautela. Porque o amor é um sentimento forte. Porque o amor é indefinido. E porque a linha entre o afeto e o apego é muito ténue. Amar molda-nos. E olhamos para amar como o benefício que traz para nós, pessoas únicas. O outro é bom para ME fazer feliz. Fazer feliz o outro faz-ME sentir bem. E o que é que vai ser de MIM sem o outro? Amar é egoísmo. Amar tira-nos o bom senso.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Só nós dois

Só nós dois é que sabemos
Quanto nos queremos bem
Só nós dois é que sabemos
Só nós dois e mais ninguém
Só nós dois avaliamos
Este amor forte e profundo
Quando o amor acontece
Não pede licença ao mundo
Anda, abraça-me... beija-me
Encosta o teu peito ao meu
Esquece que vais na rua
Vem ser minha e eu serei teu
Que falem não nos interessa
O mundo não nos importa
O nosso mundo começa
Cá dentro da nossa porta
Só nós dois é que sabemos
O calor dos nossos beijos
Só nós dois é que sofremos
A tortura dos desejos
Vamos viver o presente
Tal qual a vida nos dá
O que reserva o futuro
Só deus sabe o que será
Anda, abraça-me... beija-me
Tenho saudades tuas!

Dominó





Todos os casais felizes se parecem uns com os outros, cada casal infeliz é infeliz à sua maneira.*
Estar longe significa falar menos horas. Estar longe significa discutir menos. Afinal estar longe não tem tudo de mau. Estar longe significa ter mais espaço. Estar longe significa fazer menos amor. Hmm.. retiro o que disse! Estar longe significa perguntar menos. Estar longe significa desconfiar mais. Equilibrado. Os acontecimentos não se sucedem consoante a forma como começaram. Sucedem-se consoante a nossa capacidade de prever o futuro. O que eu quero dizer é que quando se está na fase boa do início não importa se o outro tem uma vida boa ou fod*da, se tem um curso superior ou a quarta classe, se quer casar ou ser solteiro para sempre. Se for verdadeiro nenhuma dessas merdas importa. No início é comer, orar e amar. É reencontrarmo-nos. É pôr de lado o que nos incomoda e entregarmo-nos. É verdadeiro, é indefinido, é bom! Essa fase acaba quando damos por nós a perguntarmo-nos se realmente valerá a pena. Quando nos perguntamos quem é o outro e o que quererá o outro da vida... é a morte do artista. Pomo-nos a adivinhar onde isto irá parar ou quando nos vamos cansar. Pomos em causa se o outro gosta tanto como nós ou até se ainda nos deseja. Sentimos saudades. Discutimos pelas saudades. Dizemos que tudo está à nossa frente. Não só o dizemos como o sentimos de verdade. E a indefinição passa a ser pintada de cinzento. A indefinição faz-nos deixar de acreditar. Sim, aquela mesma indefinição que nos fazia ficarmos apaixonados. Primeiro era descobrir, agora transforma-se em adivinhar. E o que terá de ser será. Há várias maneiras possíveis de chegar ao mesmo mas, ainda assim, o que terá de ser será. Tudo depende daquilo a que nos agarramos. Se olhamos com atenção para a nossa relação e virmos os pontos que nos unem ou os que nos afastam é como o dominó. Todas as peças têm dois lados. Podem ser iguais ou diferentes. A maior parte das vezes diferentes. Como as nossas características. A maior parte das vezes diferentes. No seu conjunto podem encaixar umas nas outras. Outras vezes não. Ou jogamos limpo e só encaixamos na peça igual... Ou então vamos fazendo uma batotinha ao longo do percurso e ignoramos que nem sempre encaixa. Tudo depende daquilo a que nos agarramos.

*Desculpa Tolstói mas não resisti

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Obrigada pelas lembranças boas (ou como o reconhecimento é bom)

A conversa foi ontem. Foi assim sem mais nem menos, às tantas da manhã, acerca de nenhum assunto que se esperasse chegar a algum lado. Até que dei por mim a dizer o que fazia da minha vida e que descobri que tenho jeito para ensinar. A resposta que veio do outro lado foi: «Tu sempre tiveste jeito para ensinar». Resposta a qual despertou em mim um sorriso, já com as pálpebras pesadas do tardar da hora. E respondi que só descobri isso agora. Que antes não sabia se realmente tinha jeito ou não, até mesmo porque me considerava alguém com muito pouca paciência (e que, de verdade, sou muito pouco virtuosa nesse campo).
-Eu não me esqueci que a P. sabia menos que eu e safou-se com muito mérito teu. 
A hora era adiantada. As pálpebras estavam pesadas. O corpo mole. E os olhos brilharam. E depois não era só brilho. Estavam já cheio daquela lágrima marota que cai pelo cantinho. O reconhecimento deixou-me comovida. O reconhecimento de algo que até eu já me tinha esquecido que tinha o porquê de ser reconhecida. 
Orgulhaste-me. Orgulhaste-me e eu até o teu cato matei. A nossa fotografia continua cá. O cato foi-se. Eu não soube cuidar. Eu não soube deixar crescer mesmo sendo uma tarefa simples. Tu não! Tu foste uma mulher exímia! Tu cuidaste das horas que eu te dediquei e fizeste-as crescer. Fizeste-as darem fruto. Tu trabalhaste. Tu conseguiste. És alguém que me faz ver. Que soube aplicar. Hoje eu sou mestre mas naquela altura era aprendiz. Naquela altura estava ao mesmo nível que tu. E tu foste muito superior. Tu cuidaste, fizeste florescer e multiplicaste o que te dei. Se a situação se revertesse e se fosse eu quem estivesse no teu lugar nunca tinha chegado aonde chegaste. Mas tu não! Tu sabes cuidar. Eu desisto, eu esqueço com facilidade. Tu aplicas-te. Ontem eu lembrei-me que as horas que te dediquei foram das melhores coisas que fiz na vida. Obrigada por teres chegado onde chegaste. Obrigada por me dares um motivo de reconhecimento. Obrigada por seres essa mulher fantástica que aprendeu. Que construiu algo muito grande com muito pouco. Que aproveitou cada pedrinha que aparecia e construiu um palácio. Eu orgulho-me das tuas conquistas. Mesmo sabendo que são tuas. E queria que soubesses. Porque o J. ontem lembrou-me de quão grande és.