Existe um linha. Muito ténue. Existe uma linha que separa o bom do mau. Ou não existe linha nenhuma. Às vezes acredito que não existe linha nenhuma e que afinal somos seres indefinidos. Mas não. Vamos acreditar que existe. Existe uma linha muito ténue que separa amor intenso de sexo hardcore. Existe uma linha muito ténue que separa amor de hábito. Existe uma linha muito muito muito fraca, existe uma linha muito desfocada que separa prazer de inconsequência. Afinal qual é a diferença entre ambição e ganância? Entre cuidado e soberba?
As coisas que fiz e que não me arrependo e as coisas que fiz e que me farto de martirizar não fazem de mim um ser menor. Não me fazem um ser maior. Fazem-me com tantos outros. Se já fizeram o mesmo que eu? Se já se arrependeram tanto como eu? Provavelmente não. Mas lá têm as suas coisas... Já cuidei de tantas formas. Já cuidei de amor. Já cuidei de soberba. Já cuidei de família. Quero cuidar de ti sem definição. Quero que saibas o que sinto. Quero que me conheças. Quero ter que falar pouco. Quero sentir muito. Quero proteção.
Não me quero justificar. Não perguntes. Não apontes o dedo. Não faças por maldade. Não comentes. Apaga a luz, deita-te no chão e só saias daí quando te conseguires imaginar a fazer o mesmo que eu. E vais conseguir. Porque já amaste de muitas formas. E quem ama sabe. E sabe que de todas as vezes que o meu corpo nú sentiu a tua pele foi pelo prazer. Houve vezes que foi pelo prazer de te dar prazer. Outras que foi pelo prazer de te consolar esse vazio triste que nada enche. Houve vezes que foram tristes. Outras que foram boas! Houve vezes em que quis que só te preocupasses comigo. Houve vezes em que o prazer foi todo para mim. Houve vezes que nem considerei que eu importasse. Já soube que lá não estavas. Já soube que tinhas a cabeça cheia. Já soube que gostaste e que nem conseguias processar esse prazer todo. Houve vezes que não te controlaste. Houve vezes que a única intenção era durar o suficiente porque eu precisava de tempo. Tudo o que fiz contigo. Tudo o que sussurrei. Tudo o que arrisquei. Todas as vezes que o meu corpo precisava de ti. E sim, não era eu. Era o meu corpo. É o meu corpo. Há coisas feias, há coisas bonitas. Não é sempre como vem nos livros nem é sempre pornografia barata. É preciso estar lá. E quem julgar sem lá estar é porque não amou o suficiente para compreender.




