domingo, 25 de março de 2012

«E, quem é a "Kira"?»

O Jorge deu o mote para este post
 

A pergunta ficou. Não foi algo que eu sentisse necessidade de esclarecer no momento... Mas foi uma pergunta que ficou e que me assaltava o pensamento às vezes. E dava por mim a pensar «E, quem é a "Kira"?»
E chego à conclusão que sou uma pessoa igual às outras. E entenda-se por igual às outras como sendo única. Não existe assim uma coisa que me torne muito diferente mas no conjunto de todas as características quero acreditar que sou única. Essencialmente não gosto de rótulos. Não gosto que se ame com pudor nem com vergonha. Gosto de ler clássicos. Não gosto que sejam violentos a falar. Gosto que digam com cuidado. Gosto de apagar a luz e ficar no chão no escuro. Gosto de descobrir os meus limites. E isso tem o reverso da moeda, porque depois descubro que os meus limites são baixinhos, mas sei quais são. Gosto de correr 20km de manhãzinha. Sei onde sou forte e fraca. Conheço-me mas estou disposta a descobrir mais. Gosto de andar descalça. Gosto de sentir pele a tocar na minha pele. Gosto de esforço. Homens com um braço tatuado deixam-me excitada. Homens que cozinhem para mim também. Valorizo muito homens que gostam de mulheres no seu todo. Que não precisem que se faça de conta que se é melhor do que aquilo que realmente se é. Perco a cabeça com acidentes bons. Com coisas que não se explicam... Faço coisas erradas. Conscientemente erradas. Gosto de agradar a minha mãe. Gosto que ela não me diga quão boa sou, mas que eu saiba que a faço orgulhar. Ainda assim faço coisas erradas porque preciso. Cumplicidade faz-me perder a cabeça. A sensação de que há algo que não se vê, do qual não se fala, mas que duas pessoas sabem que é mais forte... Oh isso faz-me perder a cabeça. Gosto de respeitar quem as pessoas são. Não quero mudar ninguém. Não luto por relações. Não acredito em 'fazer com que as coisas funcionem'. Acredito que se for para durar tem que ser verdadeiro. Acredito na família. Gosto que a casa seja usada, cheire a família e que nos faça sentir bem. Não gosto de casas imaculadamente arrumadas em que nem as pessoas que lá vivem sentem que podem estar à vontade. Gosto de meninos sujos a comerem sopa. Não gosto de estereotipar quem quer que seja. E acredito no impulso, na adrenalina, acredito no risco. Sei bem que há merdas que dizem quem somos e outras que são só o impulso. Nunca peço espaço, nem tempo. Não deixo as coisas arrefecerem. Gosto do que se diz no calor do momento. Mesmo que não seja bom é sincero. Sei separar as coisas. Todas as coisas. Sou boa a distinguir sentimentos. Quando quero muito alguma coisa ninguém me diz que não posso ter. Não digo que não consigo, digo que posso demorar muito tempo a conseguir. Sou desalinhada. Sou uma função sinusoidal - com altos e baixos. Afinal não somos todos? Não sigo o protocolo. Não vou para onde toda a gente vai. Por falar nisso, nem facebook tenho. Mas também não estou sempre a gabar-me. Deixo que descubram, mas se não descobrirem eu também vivo bem com isso. Gosto de comer no Vitaminas. Gosto de comer no McDonald's. Não gosto que me ofereçam presentes. Não gosto de presentes no Natal, nem nos anos, nem em situação nenhuma. Levem-me a fazer algo radical ou cozinhem para mim mas presentes não. Gosto da experiência. Gosto de ensinar. Gosto de evolução. Gosto que me façam pensar em quem sou...

E quando não são coisas que se dizem só porque é bonito é tão melhor

-Já viste a forma como falas comigo?
-Tu também és ruim para mim.
-Mas eu nunca te falo assim... Porque se eu te falasse da forma como tu me falas isto não durava!
-Durava sempre...
-Porque é que dizes isso?
-Porque quando se gosta gosta.

sábado, 24 de março de 2012

Vou deixar de ser desleixada

Eu chamo a atenção das pessoas. O mérito é todo dos meus pais! Mais propriamente do meu pai que tem aqueles genes fortíssimos de uma família em que somos todos muito parecidos. Porque se dependesse de eu ser uma pessoa muito preocupada com a imagem... bufff! Eu não ando sempre arranjada, nem uso maquilhagem para sair. O meu cabelo é desalinhado e até ultimamente tenho uma unha negra que prendi na porta da varanda (estúpida, eu sei!). As únicas coisas que realmente me preocupo são tomar banho, cheirar bem, e ter uma boa higiene oral. Talvez exagere na higiene oral mas tem que ser! Como agora passo a maior parte do tempo em casa e faço mais desporto ando muitas vezes de fato de treino. Não uso um milhão de acessórios para combinar com todas as roupas. Sou assim simples... Ou parva, sei lá. E quando me visto, e entenda-se vestir por usar umas calças de ganga com uma t-shirt, perguntam-me se eu vou sair...
Supostamente eu deveria ficar contente com agradar com pouco... Mas, fogo! O meu patamar de «arranjada» está tão baixo? Porque a sério, calças de ganga, t-shirt e sabrinas não é motivo para dizerem que eu estou «arranjada»!
E andava eu a dissertar com o meu BFF acerca disso e ele diz-me assim:
-Sabes, mas a tua piada é mesmo essa! Dás para tudo.
-Dou para tudo?? - Boca aberta e cara de estúpida
-Calma, isso é um elogio! És boa aluna, explicadora, gostas de miúdos, gostas de coisas simples, de livros complicados, sabes quando as pessoas precisam de fumar um cigarro e fazes companhia mesmo não sendo fumadora, metes-te com as empregadas dos sítios todos e se for preciso calçares uns saltos altos e ficares num ambiente desconfortável em que se fala caro, ficas à altura de qualquer uma das situações.
Confesso, a descrição deixou-me babada. Apesar de gostar de «dar para tudo», vou começar a subir a fasquia.

domingo, 18 de março de 2012

Coisas que não se prevêm mas que se querem muito


Quando começamos não sabia que ia ser para durar. Aliás, não queria que fosse para durar... Foi o calor do momento. Foi o facto de ser errado. Foi a forma meiga como ele me deixou escolher se me aproximava ou me afastava. E eu, que tenho a mania que sou rebelde, quanto mais espaço me dão, mais próxima eu fico. Preciso que me deixem dizer que sou eu que quero. Preciso que me deixem decidir. Tenho uma tendência para o errado apesar de ter sido o mais bem comportada possível estes anos todos. Quando as coisas começaram a acontecer foram entre nós dois. Sem conversinhas com amigas ou com o melhor amigo (que na altura ainda não o era). O que nos aproximou foi o errado, foi sermos um para o outro o que não se podia ter. A partir daí foi bom, foi impulsivo, foi apaixonado... Não era para durar mas chegando a um certo ponto já estávamos demasiado envolvidos. Não foi programado, não foi previsto... Mas era uma coisa que eu sabia que queria muito. Mesmo sendo errado.