Há coisas lixadas. Há coisas mesmo lixadas! E há coisas que só são lixadas na altura e que depois até nos passam. Aqui vai:
Eu fui uma pessoa extremamente amada. Eu fui filha única durante muito tempo, tive um irmão lindo quando eu já sabia dar amor, e posso dizer que a minha mummy me deu a pessoa mais importante da minha vida! Eu fui uma neta educada, uma filha bem comportada, consciente, uma namorada que se respeita e uma colega que se ouve. Basicamente eu era uma adolescente velhíssima! Eu sou o meio termo entre o espontâneo e o consciente. Não demasiada espontânea para deitar tudo a perder nem demasiado consciente para não ter vivido o que devia. Vá lá, sou conforme a lua dá! E hoje numa conversa com a minha mãe ela fez me lembrar que eu ajo de uma forma especial. Sou do género que se ama ou que se odeia, mas que se respeita sempre!
Há muito tempo eu tive um namorado durante muito tempo. Um namorado bonito e que me conhecia bem, um namorado que me tratava bem, um namorado que sabia o que dizer na hora certa. E houve um dia em que o namorado foi para a faculdade (isto vem a propósito de eu ter 18 anos na altura e o blog ser depois do dezoito). E o namorado achou que a faculdade e a maioridade eram fantásticas, e como todos os recém-adultos teve a fase da faculdade. E eu como adolescente velha e consciente não gostei. Não aprovei. Não respeitei. Nunca proibi porque não acredito que tivesse esse direito mas deixei sempre claro que não gostava.
Entretanto existe uma mentira que eu perdoei. E o facto de eu ter perdoado a mentira deu-lhe força e certeza que eu estaria sempre lá no matter what. Existiu um ultimato do género 'ou eu posso sair quando me apetecer e tu ficas de bico calado ou ficamos por aqui' (não assim, foi dito de uma maneira extremamente respeitosa, foi uma conversa com pés e cabeça, mas resume-se de uma forma nua e crua a isto). Sendo eu a cabra que sou, chorei muito mas muito, não por não saber o que fazer, mas por saber que a partir do momento que alguém me fizesse um ultimato a coisa ficaria por ali. E ficou. E houve arrependimentos e da outra parte houve certezas. E afinal o ultimato já não era o que pareceu, era só uma forma de me 'dobrar', de eu não ser a mulher de ferro que de verdade sou. Eu fui a primeira a chorar, mas lá chegou a vez dele quando a coisa ficou seriamente por ali, sem chance de voltar atrás, sem sentimentos confusos. Eu sabia que era a única coisa que eu podia ter feito para poder dormir todos os dias à noite.
A minha decisão, porque afinal de tudo parecia que a decisão de acabar tinha sido minha, gerou confusão nos cerebrozinhos pequeninos das pessoas. Aquela fulana, que durante 5 anos namorou com o fulano, que durante a sua inteira adolescência esteve com o mesmo namorado, afinal acabou com ele?!
Sim, isso gera barafunda e confusão. Porque as pessoas tem que seguir um protocolo na vida e quem não o faz é uma batata podre. E o que eu fiz não estava no protocolo, mas o que ele fez decerto tanta gente já o fez e não ficou tão mal como eu tinha obrigado a que fizesse. Resumo: eu era uma batata podre. O namorado, nesta parte da história já chamado ex-namorado, era bonito, bem parecido, elegante, sabia vestir, tinha dinheiro, tinha bens, era o social e o fixe, era inteligente (se bem que o inteligente era a única coisa que eu lhe ganhava, mas ele continuava a ser inteligente). Eu sou a bonita e a atinadinha. 'Tão a ver a diferença? E depois sou eu que lhe dou com os pés?!?!?!? Mas que raio de fulana que está numa posição tão minoritária face a um partido daqueles se dá ao luxo de poder ser a que dá com os pés? Ele podia ter quem quisesse e ela é a tal coitadinha que até teve sorte de ele a escolher. Ma friends, só é respeitado quem se respeita e eu faço-o muito. Não me ponho num pedestal mas respeito-me! E não há adjectivo nenhum que me faça crer que alguém me pode deixar de respeitar e vir para aí fazer ultimatos.
Sim, isso gera barafunda e confusão. Porque as pessoas tem que seguir um protocolo na vida e quem não o faz é uma batata podre. E o que eu fiz não estava no protocolo, mas o que ele fez decerto tanta gente já o fez e não ficou tão mal como eu tinha obrigado a que fizesse. Resumo: eu era uma batata podre. O namorado, nesta parte da história já chamado ex-namorado, era bonito, bem parecido, elegante, sabia vestir, tinha dinheiro, tinha bens, era o social e o fixe, era inteligente (se bem que o inteligente era a única coisa que eu lhe ganhava, mas ele continuava a ser inteligente). Eu sou a bonita e a atinadinha. 'Tão a ver a diferença? E depois sou eu que lhe dou com os pés?!?!?!? Mas que raio de fulana que está numa posição tão minoritária face a um partido daqueles se dá ao luxo de poder ser a que dá com os pés? Ele podia ter quem quisesse e ela é a tal coitadinha que até teve sorte de ele a escolher. Ma friends, só é respeitado quem se respeita e eu faço-o muito. Não me ponho num pedestal mas respeito-me! E não há adjectivo nenhum que me faça crer que alguém me pode deixar de respeitar e vir para aí fazer ultimatos.
Com o passar dos dias aparecem arrependimentos, aparecem mágoas e aparece um rapaz, normal, sem aqueles todos adjectivos. Normal. Era só isso. Um rapaz N O R M A L- normal! Não era aquele grande partido, era um rapaz normal. Que conquista o coração da fulaninha que não tinha noção do que estava a perder. Existe um rapaz que tem lata para meter conversa com a fulaninha e que com o desenrolar das coisas tem um milhão de adjectivos que não coincidem com nenhum dos do ex-namorado, mas que a fulaninha descobre que gosta mais. Sendo eu a cabra que sou, desconfiei. Ninguém é assim boa pessoa. Vamos a descobrir os defeitos, e de verdade que jurava que ia encontrar o defeito de 'faço-me de bom da fita quando te estou a engatar e depois tiro a máscara'. Eu descobri-lhe muitos defeitos e as virtudes boas continuavam lá. E havia respeito. Nunca houve pressões, nunca houve complicações. Houve descoberta, interesse, amizade e houve amor. E nunca, mesmo depois do amor deixou de haver respeito. E mesmo quando já se sabia que o amor era certo nunca pisou o risco, nunca pressionou nada. E essa liberdade deixou-me presa. Eu fiquei encantada. Eu deixei um homem que no protocolo é catalogado de IDEAL por um homem que segundo um protocolo é NORMAL. Traduzindo, para mim o homem que para qualquer um seria NORMAL, para mim foi ESPECIAL. Não me arrependo um único dia da escolha que fiz, não me arrependo do amor que senti, não me arrependo da brevidade com que senti esse amor. Não sinto culpa por ter deixado um namorado de cinco anos que era supostamente perfeito por outro tão normal em tão pouco tempo. Eu hoje continuo com o homem que me conquistou, já lá vão três anos, e agradeço, do fundo do coração, ao homem que me fez um ultimato, por tê-lo feito. Agradeço à minha mãe, por me ter feito esta mulher que prefere ficar para tia do que ser subjugada. Agradeço ao destino por ter colocado este homem tão bom no meu caminho. Ele tem defeitos e virtudes. Defeitos e virtudes que eu aprecio. Só isso. Eu fui julgada no início, mas com o passar do tempo e com toda a gente a ver o tipo de relação que eu tenho agora, a minha decisão passou a ser respeitada. Tinha que ser desta forma! Eu espero que o meu ex-namorado seja muito feliz, de verdade que sim, foi uma pessoa muito importante para mim, com quem estive muitos anos. Mas a felicidade não seria eu e ele. A minha verdadeira felicidade está comigo agora e eu não a podia ter deixado escapar. Às vezes seguir o protocolo não é tudo. Pode-se quebrar o protocolo e não ser respeitada a curto prazo, mas tenho para comigo que se a decisão for tomada com muita introspecção e com a certeza de que é acertada mais tarde a aprovação virá. Há coisas lixadas. Há coisas mesmo lixadas! E há coisas que só são lixadas na altura e que depois até nos passam. Love can change. And love will certainly change you.

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